No caso da redução IPI para automóveis (zero por cento para os veículos até 1.000 cilindradas), eu penso que pode ser um tiro no pé, pois a maioria das cidades brasileiras, em especial as capitais e metrópoles, não possui planejamento urbano, ou seja, não existe um planejamento para o uso e a apropriação do espaço urbano. Um acréscimo na frota de veículos causará aumento da poluição, dos engarrafamentos e do stress. Mesmo em cidades como São Paulo, dotada de uma estrutura robusta de transporte urbano (ônibus, trens e metrô), um aumento na frota de veículos particulares pode acarretar uma piora na questão dos engarrafamentos (em número e em extensão). Vale a pena lembrar que as concessionárias financiam veículos novos em até oitenta meses, o que influencia o despejo de carros nas ruas.
Uma alternativa interessante, já que o Governo aceita uma redução na arrecadação de impostos, seria um aumento equivalente no repasse do FPM. Este incremento no FPM seria aplicado obrigatoriamente em urbanização e transporte público (sinalização, construção de viadutos, pontes e túneis, bem como implantação de metrovias e ferrovias). Mas este tipo de projeto, de comum acordo com os três níveis de Governo e visando a coletividade, não dá voto. É bem mais fácil dar uma canetada com alguns paliativos e anunciar no jornal das oito.